A verdade de ser mãe: mudanças para a vida toda.

18 May

gravida cartoon

Sou mãe de um bebê-delícia de 10 meses que é minha vida! A coisa mais preciosa do mundo, mas desde que fiquei sabendo que ele estava na minha barriga, TUDO mudou.

Desde o dia 1 já tive que encarar que não dava mais pra sair com os amigos para beber. Eu AMO (ou melhor, amava) sair para tomar umas. Daí, de repente, vc só sai para jantar e, além de tudo, sem direito a vinho. De vez em quando eu até tomava uma tacinha, mas quando começava a curtir a vibe já era hora de parar. Para piorar, meus amigos não faziam o gênero “vamos a um bom restaurante”. O negócio era festinha na casa de um, churrasco na casa de outro, happy hour… e mesmo que combinássemos de sair para jantar, era para tomar todas.

Junto com isso, tem todo o mal-estar que vc sente em começo de gravidez. Eu não conseguia malhar, só conseguia comer carboidrato (justamente o contrário de como eu comia) e tinha que lidar com uma barriga que não era nem tão grande, que as pessoas percebessem que eu estava grávida, e nem tão pequena para vc usar as mesmas roupas de sempre. É tipo um buchinho de cerveja, aquela barriguinha roliça que surge quando vc passa um fim de semana inteiro comendo merda. Sabe?

E quando finalmente o enjoo passa e você consegue comer de tudo, mais uma surpresa: não! Vc não pode mais comer de tudo! Esquece comida japonesa, salada, ovo fora de casa, coisas picantes, café, produtos muito industrializados, corantes, adoçante…..affffffffffff….é complicado!

Daí passa um tempinho e todas as suas roupas começam a ficar justas e vc não sabe mais se é só por causa da gravidez ou se vc está engordando além da conta, pq só come carboidratos. Uma hora vc pensa: “Normal engordar. Um bebê está crescendo dentro de mim” e na outra “O bebê ainda é do tamanho de uma azeitona! Era para eu estar bem mais magra”.

Para não surtar, o jeito é correr para a loja de roupas de grávida e renovar o guarda-roupas. E aí vem mais um choque, pois vc NUNCA encontrará as roupas que vc gosta de usar numa loja de grávida.

Daí a gravidez vai passando e parece que por 3 meses sua vida volta nos eixos. Sua barriga começa a ficar redonda e bonita e vc volta a se sentir bem, as pessoas são mais cordiais e querem sempre te ajudar, vc pode parar em vaga de grávida no shopping, o marido fica babão fazendo tudo o que vc quer e, o melhor de tudo, aquele docinho a mais no final de semana nem pesa na consciência, afinal, a barriga já tá grande mesmo.

Nessa fase, dos 4 aos 7 meses de gestação, dá para ir na academia tranquilamente, o que tbm ajuda a cabeça a funcionar melhor. Como eu já malho faz tempo, para mim foi natural manter a rotina. A única coisa que realmente parei de fazer na academia foi correr na esteira, mas até Jump e corda eu pulei (inclusive até 1 dia antes deu dar a luz!). Se não fosse pela malhação, acho que as coisas teriam sido mais difíceis.

Depois dos 7-8 meses a situação começa a ficar meio estranha de novo. O bebê começa a chutar muito, você tem vontade de fazer xixi a todo instante, as roupas de grávida que vc comprou no começo da gravidez já começam a ficar mais justas e a ansiedade de segurar o bebê aflora. Sua fome cresce e sua libido diminui.

Daí quando vc acha que vai explodir, mesmo não tendo ganhado muito peso (eu ganhei 8,5Kg no total), chega a hora de ter seu bebê. Um momento tão mágico, que deveria ser aproveitado ao máximo, mas que na prática é muito difícil.

Meus hormônios ficaram doidos, não conseguia dormir ou relaxar, perdi todo o controle da minha vida e só cuidava do bebê. Rapidamente resolvi contratar uma enfermeira (o que não estava nos meus planos!). Com essa decisão eu abri mão da minha privacidade em casa para ganhar algumas horas a mais de sono por dia. Valeu a pena por um lado, mas por outro a mulher era uma mala sem alça.

charge new mom

Meu bebê teve muita cólica até os 3 meses e a maldita da enfermeira culpava tudo o que eu comia. Não podia comer nada verde que lá vinha ela dizer: mas é obvio que o bebê terá cólicas com você comendo isso”.

Chegou uma hora que eu senti que só podia comer arroz com peito de frango se quisesse evitar as cólicas do meu filho. Ahhhhh se fosse hoje! Eu mandava aquela mulher a merda!

Além disso, o bebê mama o dia inteiro e não dá nem para sair de casa, só para ir num supermercado mesmo.

Daí os dias vão passando e você sem dormir, sem sair de casa, com uma enfermeira pentelha…

Sentia como se houvesse perdido minha identidade. Não fazia mais nada do que me dava prazer e ainda me olhava no espelho e via uma mulher feia (nada daquele glamour de “mamãe plena e feliz” que vc vê em comercial de sabonete de bebê).

Com 1 mês do nascimento do bebê voltei a malhar e pelo menos sentia que havia recuperado uma parte da minha vida. Ainda não podia sair, beber, curtir com os amigos, mas pelo menos poderia, aos poucos, ir recuperando a forma.

Quando meu bebê completou 3 meses eu já havia perdido 6,5kg (dos 8,5kg que ganhei), mas obviamente meu corpo havia mudado e estava longe de ser o mesmo de antes da gravidez. O lado bom é que meu peito ficou enorme e foi interessante me sentir turbinada por alguns meses.

Com 3 meses troquei a enfermeira por uma babá, que dormia em casa, e foi tudo de bom! A babá está comigo até hoje e a entrada dela coincidiu com o fim das cólicas do Rafa e com noites melhor dormidas.

Com 6 meses voltei a trabalhar e recuperei mais uma coisa: minha rotina diária (minha!!!!!).

É duro voltar a trabalhar com um bebê de 6 meses? Sim! Mas ao mesmo tempo é tudo de bom. Voltei a ver gente, a respirar outros ares, a ocupar minha cabeça com coisas que não tem nada a ver com bebê ou empregadas.

Com 8 meses outra grande melhoria: parei de amamentar. Com certeza existem mulheres que dariam a vida para amamentar os filhos eternamente. Eu não! Amamentei até quando deu, pois sabia que era bom pro meu filho. Porém, quando o pediatra me informou que provavelmente eu já nem estava produzindo a quantidade suficiente de leite, confesso que não consegui evitar um sorriso de canto de boca. Havia chegado o momento de voltar a comer (e beber!) de tudo.

Agora meu filho está com 10 meses e finalmente parece que minha vida está voltando aos eixos.

Meu bebê está crescendo lindo e saudável e cada dia mais eu curto interagir com ele e fazer o papel de mãe. Inclusive abdiquei da malhação nos finais de semana para poder curti-lo com meu marido o dia inteiro. Agora, tomamos café da manhã fora todos os sábados, um novo ritual que tomou o lugar da malhação, mas que faz muito bem para a cabeça.

A única coisa que falta agora é voltar a mesma forma de antes (ou pelo menos ao mesmo peso!). Sei que não é algo difícil, mas está custando muito. Como emagreci muito rápido no início, achei que seria fácil. Mas nunca consigo perder os 2kg que faltam!

As mudanças na alimentação e na rotina de malhação contribuíram, mas o que realmente afetou foi a cabeça. Com tudo isso que passei, todas essa mudanças, me desiquilibrei um pouco emocionalmente. Nos últimos 4 meses eu vou de uma dieta extrema a 2-3 dias de comilança compulsiva, fazendo o peso não sair do lugar. O pior é que agora o ponteiro da balança finalmente se moveu, pra cima!!!! Pela primeira vez em uns 10 anos (sem contar a gravidez!) eu estou pesando 52kg. Antes de engravidar eu estava com 49kg, mas de pura massa muscular (o que deveria equivaler a uns 47kg hoje em dia). Sentiu o drama?

Pois é, mas esse é um novo post. A mensagem que queria deixar com toda essa história da minha gravidez e dos primeiros meses do meu filho é para que pessoas que estejam passando, ou que venham a passar por isso, saibam que é normal perder o chão no começo e se sentir triste. É normal pensar “o que será da minha vida???”.  Mas tudo passa e, ao passo que a melancolia vai embora, sua vida é tomada por uma onda de amor incondicional e a felicidade se instala. Essa sim é felicidade verdadeira, que vem do coração e não de qualquer fonte externa, engarrafada, comprada em prateleira de supermercado. Felicidade para toda a vida. Plena.

mamãe e bebê

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